E alguns meses depois que eu fechei as portas do consultório, deixando a fisioterapia por causa da minha lesão na coluna, enquanto ainda não sabia o que seria da minha vida e passava horas e horas dopada, lutando contra a depressão e o medo da "invalidez", aconteceu algo que me faria conhecer um princípio da fotografia antes mesmo de ter uma câmera fotográfica.
Eu acordei cedo pra levar o filhote na escola (desse prazer eu não me furtava, com dor ou não, eu o levava na escola todos os dias) e passei na minha mãe pra tomar café, como fazia todos os dias. Quando ela me olhou, vi que estava com o rosto torto. Pedi pra ela sorrir, o sorriso só abriu de um lado. Pedi pra piscar, só um olho piscou. Me gelei inteira e pedi pra ela levantar os dois braços, ela conseguiu... fiquei aliviada porque se levantasse só um, poderia estar tendo um AVE (Acidente Vascular Encefálico - Derrame).
Liguei pra uma amiga fisio CDF, ela me mandou correr com a minha mãe pro hospital porque aquela paralisia cerebral poderia ser mais do que uma simples paralisia cerebral... gelei de novo. Deixamos o menino na escola e fomos correndo pro Pronto Socorro. Minha amiga estava certa... minha mãe estava com um meningioma, um tumor no cérebro, benigno, mas que teria que ser retirado o mais rápido possível.
Aí começou a luta... o plano de saúde cobriria uma parte, mas precisávamos da autorização, o restante teríamos que pagar... Se o plano de saúde não cobrisse, a família não teria como arcar com tudo. E eu fiquei responsável de cuidar da minha mãe e correr atrás da bendita autorização, já que eu não estava trabalhando nesta época.
O tumor empurrava o cerebelo da minha mãe, além de ter paralisado a face. O cerebelo é responsável pelo equilíbrio e com o passar dos dias, a falta dele já era presente... minha mãe estava com 76 anos, e o tumor a estava debilitando ainda mais.
Com todos os exames prontos, só esperando a autorização do plano... e eles não autorizavam. Cada vez que eu ia até lá, era humilhada, sofria até chacotas dos funcionários. Ouvi várias vezes que o problema da minha mãe não era emergência, que eles passariam sim muita coisa na frente... Riam de me ver sentada lá esperando por mais uma auditoria...
Eu já não aguentava mais... minha cabeça parecia não acreditar no que estava vivendo... Já haviam se passado 2 meses...
Lembro como se fosse hoje, minha mãe não conseguiu passar na porta... a falta de equilíbrio, de noção de espaço, não a deixava acertar o meio, ela batia nas laterais... fui pro quarto e chorei demais... lavei o rosto e fui mais uma vez pra central do plano de saúde.
No caminho, eu agoniada, o farol fechou, eu parei o carro nervosa, acelerada, completamente atordoada. De repente, eu "ouvi" a música que estava tocando no rádio do carro.
"Ele exaltado, o Senhor exaltado no céu..." https://www.youtube.com/watch?v=896EtlCKFLk&list=RD896EtlCKFLk (pra quem quiser ouvir a música)
Comecei a cantar... a cantar... a cantar...
E aí, eu reparei que atrás do sinaleiro tinha um céu lindo!!! E continuei a cantar... e reconhecer a grandeza de Deus! Quem tinha desenhado cada nuance de azul daquele céu... E tudo, tudo o mais... Ele fez perfeito...
Adorando a Deus, eu vi o tamanho do meu PAI... Ele era tão maior que aquela situação!!!
Eu mudei o foco... parei de olhar pro sinal vermelho que fazia estar parada, mesmo tão agoniada... e foquei no céu! Percebi que meu problema pode ser enorme, mas ele sempre vai ser um anão comparado ao Deus que eu sirvo.
Não foi a última vez que fui ao plano de saúde... mas eles liberaram a cirurgia. Os médicos nos prepararam pra uma cirurgia de mais de 12 horas, 7 dias de UTI... Foram 9 horas de cirurgia, 1 noite de UTI, em menos de 1 semana estávamos em casa. Pra honra e glória do Deus que desenhou o céu, e cuida da minha mãe, e cuida de você aí!!!
Eu dei banho, eu ajudei a andar, eu troquei curativo... a minha coluna não lembrou que doía enquanto eu estava com ela... (Nesta época eu comecei a perceber que eu aguentava ficar sem medicamento, não podia estar dopada porque ela podia precisar de mim...)
E saí dessa com uma lição que nunca me deixaria... EU POSSO MUDAR O FOCO. DEPENDE DE MIM, MUDAR O FOCO.
Quando comecei a fotografar, aprendi que onde está o meu foco faz toda a diferença no resultado final da minha imagem. Focar é a ação que me fará mostrar a qualquer pessoa o que eu estou VENDO, inclusive pra mim mesma.
Experimenta mudar o seu foco... a mesma situação pode te dar uma fotografia muito mais interessante...
Tenta ver que além do sinal que ficou vermelho pra você, existe um céu, lindo...
Não esquece, nunca, que lembrar o tamanho do seu Deus, te faz entender, realmente. quem manda na coisa toda, e que perto dEle seu problema é pequeno... Ouse adorar a Deus em meio aos "sinais vermelhos" da sua vida...
Estou sempre à disposição de quem quiser trocar uma idéia comigo, é só enviar um email para fotografaannabotelho@hotmail.com

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